Se soubéssemos a última vez em que vamos conversar com alguém, será que faríamos algo de diferente? Teríamos mais coragem para fazer o que nunca fizemos? Tomar atitudes que temos tanta vergonha só de imaginar? Eu não sei, porque nunca soube. Assim é a vida, as coisas acontecem do nada, por acaso, e terminam do mesmo jeito. Isso me aterroriza às vezes, sabe? Não saber quando e nem onde me deixa assustado — porque eu sou assim, sempre fingindo ser forte e impenetrável, mas isso é só por fora. Se alguém ficasse por tempo suficiente saberia a verdade. Não sinto autodepreciação nem baixa autoestima — tenho, lentamente, me acostumado com essa sensação asfixiante de ser uma poeira. Posso te contar um segredo? Tenho um super poder, lembro com detalhe de cada última vez. Sabe o ruim? Quase nunca é a boa parte. Tipo a última vez em que vi algum conhecido do Ensino Médio. O último beijo. O último abraço. A última vez em que sorri sinceramente. Parece que quero a sua compaixão ou ser seu amigo, né?
Ah caro leitor, você já deveria ter aprendido que muitas coisas não são o que aparentam. Se eu o fiz me entender mal, me perdoe, tenho o péssimo hábito de me abrir demais enquanto escrevo.
Mas enfim, você deve estar se perguntando que utilidade tem esse superpoder, né? Não sei, é meu cérebro que gosta de guardar essas coisas velhas. E, por fim, acho que se eu soubesse quando seria a última vez, teria mais atitude. Mas, quer saber? Não sinto pelas pessoas, sinto muito sim, mas por mim. Eu, que carrego todos os sonhos do mundo.
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